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Musical – Zona Contaminada em curta temporada Março 14, 2008

Arquivado em: Uncategorized — culturabaiana @ 11:34 pm

zona.jpgCenas que chocam, músicas de Cazuza, coreografias, referências literárias e uma atmosfera de tragédia futurista são alguns dos elementos que compõem o espetáculo Zona Contaminada, em curtíssima temporada na Sala do Coro do Teatro Castro Alves. A montagem recebeu a indicação ao Prêmio Braskem de Teatro na categoria Melhor Atriz Coadjuvante para Lívia França.

Zona Contaminada retrata um mundo devastado por uma grande peste que teria contaminado seus habitantes, exceto as irmãs Beth (Denise Correia) e Carmem (Lívia França), que passam a viver refugiadas para não serem encontradas pelo Poder Central, que é uma espécie de tirania invisível que controla a vida dos habitantes e remete ao Grande Irmão, do livro 1984, de George Orwell. Sua voz é Nostradamus Pereira (Gilson Garcia), personagem de aspecto grotesco e extravagante que faz intervenções inesperadas durante o espetáculo dando informes do Poder. A forma como Nostradamus atua faz uma crítica ao sensacionalismo de alguns veículos de comunicação da atualidade.

Em meio ao ambiente de catástrofe, reforçado por um cenário composto de pichações, TV’s quebradas, metais e caixões, desenvolvido por Hamilton Lima, Beth encontra um homem supostamente não contaminado, o Homem de Calmaritá (Leonardo Freitas), que lhe revela a existência de um lugar para além da zona contaminada.

Enquanto isso, Carmem se envolve com seu amigo imaginário, o Mister Nostálgio (Agamenon de Abreu),que representa a personificação do que foi perdido com a grande contaminação, como romantismo, educação e amizade, e que a personagem sente a falta. Mais uma vez um grande clássico da literatura internacional parece ter sido referência: Admirável Mundo Novo, livro de Aldous Huxley, que possui passagens onde alguns personagens passam a sentir falta de sentimentos que existiam em tempos remotos.
Mesmo sendo desenvolvida em um ambiente futurista, a peça consegue, por meio de suas metáforas, fazer contundentes críticas a perda de valores da sociedade em que vivemos hoje. Aspecto presente também na poesia das músicas de Cazuza, que são inseridas de forma intercalada com as cenas, interpretadas pelos atores, sob a direção musical de Paulinho de Oliveira, e aliadas às coreografias elaboradas por Sivaldo Tavares.

A peça está em cartaz na Sala do Coro do Teatro Castro Alves, até dia 23 de março, de seta-feira a domingo, às 20h, e o ingresso custa R$ 20,00.

 

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